Reduzir CO2 é essencial para ter futuro no planeta, menciona nosso CEO Rogerio, na Revista VEJA, edição especial do Dia da Amazônia.

Postado dia 29 / 09 / 2021
por umgrauemeio

Matéria original publicada na Veja.

Fundador de startup que monitora incêndios ambientais, Rogerio Cavalcante, alia práticas budistas ao mercado e critica os “créditos de carbono”.

As 75 torres de monitoramento da startup Um Grau e Meio estão espalhadas em 4,6 milhões de hectares de florestas, em nove estados brasileiros. Por um algoritmo que detecta até 15 quilômetros de distância, as câmeras instaladas no alto das torres ajudam a reduzir o tempo de detecção de incêndios de horas para apenas três minutos.

“Nenhum incêndio começa grande, o tempo de detecção é o que vai definir, o tempo de detecção é o que vai definir sua dimensão e o nível de emissão de CO2” aponta Rogerio Cavalcante, CEO e fundador da Um Grau e Meio. 

Através de parcerias com empresas privadas, a companhia — que tem sua base em Jundiaí, no interior de São Paulo, mas tem equipes espalhadas por todo o Brasil — subverte a ideia de “crédito de carbono” . Um dos próximos passos é o projeto “Abrace uma Floresta”, que vai monitorar 2 milhões de hectares no Pantanal.  

“O bacana é que a gente traz o propósito da empresa no nosso próprio nome, porque um grau e meio é o limite de aquecimento que o planeta pode suportar”, explica Cavalcante. “Se não reduzirmos as emissões de CO2, as mudanças climáticas vão ser praticamente irreversíveis, por isso falamos de forma enfática que, se isso acontecer, não vai ter o que compensar no futuro. É um caminho sem volta”

Na conversa a seguir, o empresário fala sobre como alia os negócios à defesa do clima e a suas influências budistas:

Na sua visão, qual é o problema dos créditos de carbono?

A compensação não vai resolver a questão, porque o que já foi emitido já era. É preciso ter ações de mitigação. O mercado olha muito para a compensação através dos créditos de carbono, mas isso tem um problema, porque, primeiro, a empresa precisa olhar para suas ações internas, tomando ações efetivas que mitiguem as emissões, para depois, quando não tiver mais o que fazer, aí, sim, compensar. Se uma empresa obtém seu lucro lesando o meio ambiente, esse é um lucro sobre o nosso prejuízo. Isso não é lucro. 

Como você vê o ecossistema das startups que trabalham com o clima?

No geral, o ecossistema das startups é dominado por investidores anjos e venture capital [capital de risco].

Não é o nosso caso. Apesar da empresa vir apresentando um crescimento de 100% ao ano, não temos investidores. Isso porque, nesse mundo de venture capital e unicórnios, eles querem que tudo gere uma escala grandiosa e cresça muito rápido. Mas nós trabalhamos com a natureza, que tem o tempo dela. O objetivo do nosso trabalho é a sustentabilidade, então nossa preocupação não é crescer e dar resultado para o investidor dessa forma.  

Tem a ver com as boas práticas ambientais, sociais e de governança, certo?

Sim, é importante falar dessa sigla ESG (environmental, social and corporate governance). Até então, nós tínhamos três componentes para formar o lucro: custo, tributo e margem de resultado. Hoje, o ESG é um quarto componente. E nós somos o E do ESG, somos sustentabilidade na veia. Quando passamos a olhar para isso, estamos diante de um ponto de inflexão, em que as empresas deixam de ver o lucro pelo lucro e passam a ter um olhar mais voltado para a função social. 

É uma outra direção para o mercado…

Totalmente. É claro que a gente fala muito com venture capital, mas são visões muito diferentes. Porque eles querem despejar dinheiro e fazer com que a gente saia criando produtos, coisas para rentabilizar. É a força do capital pressionando. Essa história de crescimento desordenado, que é a visão ocidental, um crescimento rumo ao infinito, não funciona. Hoje, estamos mais prósperos do que há 40 anos, mas não resolvemos os problemas de desigualdade. Então, por que continuar investindo nesse modelo? De onde vem isso? A gente tem que olhar para o que é próspero não só para quem trabalha na empresa, mas para quem toma o serviço, para quem fornece, para todo mundo. Se criarmos essa cultura de prosperidade, que tem a ver com o capitalismo consciente, estamos dando uma contribuição mais genuína. Tenho duas filhas, gosto que elas tenham orgulho do que eu faço. 

É nesse sentido que o seu background budista encontra o mercado?

Exatamente. No budismo, existem cinco elementos: terra, fogo, ar, água e espaço. Nós trabalhamos com o elemento espaço, que é o meio ambiente. Sem o espaço não dá para construir nada.

Nosso objetivo não é virar um unicórnio [startup avaliada em mais de um bilhão de dólares]. Respeito quem segue essa linha, mas nós seguimos outra lógica. Somos uma empresa que, além de gerar lucro, também é preocupada com o meio ambiente. Essa fórmula fez com que eu entrasse na lista da plataforma Meaningful Business, como um dos 100 líderes globais que unem lucro ao propósito. Então, esse discurso que eu faço não é só meu. É um discurso que faz sentido para muita gente. Até porque, se não tivermos meio ambiente, não vamos ter aplicativo de comida, carro compartilhado, ou hotel.

Como empresário que tem preocupações ambientais, como você vê o cenário climático?

Eu me encaixo no time dos extremamente preocupados, extremamente, porque nós estamos muito próximos do limite.

Estamos, literalmente, brincando com fogo. E, se chegarmos no limite, não vamos poder retornar atrás. Não me encaro como um pessimista,

porque acredito que ainda dá tempo, ainda é possível fazer o melhor. Só que o todo é formado por partes, não adianta só alguns poucos cuidarem da floresta e a cultura de lucro acima de tudo continuar do mesmo jeito.

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