Os Pilares Do Enfrentamento Aos Incêndios Florestais.

Postado dia 09 / 12 / 2020
por umgrauemeio

Vivemos em um Planeta cada vez mais quente e seco marcado pelos impactos do clima extremo que acirra o poder destruidor dos incêndios florestais. Um incêndio florestal de grandes proporções pode avançar por dias ou até mesmo semanas, destruindo tudo que encontra em seu caminho.

Para evitar que focos de incêndios se tornem incêndios catastróficos a detecção precoce e automática é um dos passos para evitar a tragédia.

Em acidentes com fogo cada segundo conta, pois todo incêndio começa podendo ser apagado com a sola de uma bota. A velocidade de detecção e reação das brigadas é o que fará a diferença entre a vida e a morte.

Com o avanço das técnicas de visão computacional, inteligência artificial, satélites é possível detectar e reagir rapidamente evitando que focos se tornem incêndios de grandes proporções.

A abordagem ao enfrentamento dos incêndios deve ser ampla e integrar tecnologias que fortalecem os 5 pilares (tecnológicos) do enfrentamento aos incêndios.

  1. Tecnologias para Combate Preventivo.

Os dados e informações extraídos dos satélites irão compor, além do mapa georreferenciado, a análise de risco e pressão humana, pontos de material combustível no solo e áreas de incêndios recorrentes para que medidas preventivas sejam tomadas (manejo integrado, construção de aceiros etc. A base destas informações irá indicar também os pontos estratégicos para o posicionamento do sistema de visão computacional.

  1. Tecnologias e Formas de Detecção

Existe uma gama de formas possíveis para detecção de incêndios. Desde vigias em torres com binóculos, satélites e aviões, porém nenhuma destas formas de detecção pode ser equiparada à capacidade, acurácia e velocidade dos sistemas de visão computacional embarcados em câmeras de longo alcance que também oferecem o melhor custo-benefício dentro de uma operação de enfrentamento em tempo real.

2.a -Vigiais em Torres x Visão Computacional.

Imagine trabalhar em uma torre de 45 metros que balança feito um barco ao vento, no meio do Cerrado Brasileiro, com sensação térmica de 50º e um binóculo. O vigia, proclamado “torrista’ (ciclos de três ou quatro vigias por turno) fica procurando focos em um raio de 360º. A média de tempo de detecção de focos alcançada por estes vigias ultrapassa 40 minutos e, dependendo do bioma, se torna custoso e muitas vezes impossível conter o avanço do fogo.

As câmeras de alta resolução, onde os algoritmos de visão computacional operam, são instaladas em topos de torres de comunicação, funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. De maneira automática o sistema identifica possíveis focos e alerta o operador na sala de situação que pode visualizar e comprovar em aproximadamente 3 minutos a veracidade e origem do foco além de indicar a latitude e a longitude exatas.

O vigia passa a operar dentro de uma sala refrigerada com ambiente ergonômico onde alertas automáticos de foco oferecem a capacidade para uma reação e enfrentamento rápidos. O tempo médio que era de 40 minutos caiu para 3 minutos e essa redução de tempo é a base que determina o sucesso ou fracasso de uma operação de combate.

2.b – Satélites X Visão Computacional

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Aqui ainda existe uma grande confusão quanto ao papel e forma que atuam os satélites quando se trata de detecção automática de incêndios. Os satélites avançaram e seguem avançando no que foi batizado de a Nova Corrida Espacial. Existe uma grande animação em torno dos nano satélites e na qualidade das imagens que oferecem, porém para detecção automática em tempo real ainda existem um longo caminho a ser percorrido.

A diferença principal entre os satélites e as câmeras é que satélites identificam o foco após ele ter alcançado uma proporção mensurável pelo sensor do satélite que pode variar de acordo com capacidade do satélite disponível no momento da detecção. A temporalidade variada e capacidade de detecção tornam os satélites ainda dependentes de protocolos de comprovação para mobilização de brigadas que ultrapassam 3 horas e podem chegar a até 72 horas após o início do incêndio.

Por sua vez as câmeras são uma solução “pé no chão” que mostram a imagem do foco na hora que ela acontece, ao vivo e a comprovação é na hora também não dependendo de protocolos de comprovação que atrasam o enfrentamento rápido.

  1. Tecnologias para Comunicação

A partir da detecção precoce a comunicação com as brigadas deve ser rápida. Os operadores da sala de situação, através dos mapas da área, são capazes de identificar as brigadas mais próximas da ocorrência, informá-las sobre qual área exata esta queimando, dimensão do fogo e tamanho da força de brigada necessária que irá variar de acordo com diversos fatores; tipo de solo, temperatura, vento, proximidade de áreas de reserva, e outras variáveis que são extraídas dos satélites e histórico da região em imputadas na base cartográfica do sistema.

Sistemas de rádio e energia isolados garantem uma rede independente para transmissão de dados e funcionamento em áreas remotas e sem energia de rede disponível.

  1. Tecnologias para Mobilização

Após a comunicação rápida e clara a mobilização adequada deve contar com um sistema de comunicação em tempo real com sala de situação operacional durante a mobilização e operação no campo, indicando as rotas mais seguras e rápidas para acessar a ocorrência.

A mobilização das brigadas precisa responder sempre as perguntas:

· Após a detecção, qual o tempo de acionamento da brigada?

· Quanto tempo a brigada chegou ao foco?

· Quanto tempo a brigada combateu o foco?

· Quanto tempo o combate foi finalizado?

Estas respostas irão, no final, gerar uma fotografia do momento da operação e indicar melhorias preventivas e operacionais no futuro.

  1. Tecnologias para Planejamento de Combate.

Além de equipamentos de combate de alta qualidade e a troca de informações com a sala de situação, o planejamento de combate é sempre mais eficiente quando feito com antecipação e nos momentos iniciais do foco e, para que isto acontece, a interrelação e integração das etapas dos pilares é imprescindível.

Conclusão

As tecnologias e ferramentas para o enfrentamento e combate a incêndios têm evoluído mundo a fora. A academia começa a olhar com atenção para as emissões de CO2 originadas pelos incêndios florestais e o impacto devastador que intensifica as causas do aquecimento global. Para que possamos extinguir de fato a capacidade destruidora dos incêndios devemos atender com eficiência cada uma das pilastras citadas com cada tecnologia cumprindo o seu papel com o que melhor pode oferecer.

Existe um caminho comprovado de sucesso que já é aplicado pelo setor privado de florestas plantadas no Brasil e que pode ser replicado para às áreas de parques e reservas naturais, não só no Brasil, mas também mundo a fora.

-Osmar Bambini

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