Inovadores do clima: 5 brasileiros que desbravam o novo mundo de baixo carbono

Postado dia 04 / 10 / 2021
por umgrauemeio

Confira a matéria na integra no Um só planeta .

São ativistas, influenciadores e visionários que abrem caminhos para enfrentar a crise do clima e inspirar muita gente pelo caminho.

Um dos poucos consensos em torno da transição para uma economia de baixo carbono é que a inovação, em seu sentido mais amplo, será o melhor — se não o único — caminho para chegar lá. Estima-se que os investimentos necessários para zerar as emissões de gases de efeito estufa somem US$ 2 trilhões por ano até 2050. O aumento do conhecimento acumulado sobre as mudanças climáticas fez com que o Fórum Mundial de Davos, que reúne a elite da economia global, passasse a falar em catástrofe climática, em vez de emergência climática.

Para além da narrativa do desastre, existe um grupo seleto de pioneiros que começam a apontar um caminho de oportunidade e prosperidade nessa jornada. Eles estão dispersos nas mais variadas áreas da sociedade — entre ativistas, influenciadores, intraempreendedores, mobilizadores e visionários. Em sua nova edição, ÉpocaNEGÓCIOS selecionou 100 inovadores — 50 brasileiros e 50 globais. Eles ajudam a criar novas e eficazes formas de influenciar pessoas, mobilizar e direcionar recursos, empreender dentro de grandes empresas ou em startups pioneiras em segmentos até pouco tempo atrás inexistentes. Conheça a seguir cinco brasileiros que estão desbravando caminhos para um mundo de baixo carbono.

AMANDA DA CRUZ COSTA, embaixadora da juventude da ONU

Em destaque na foto de abertura desta matéria, a paulistana Amanda da Cruz Costa foi à COP 23, em 2017, na Alemanha, com uma bolsa da ACM (Associação Cristã de Moços). Após o evento, ela se aproximou de outros jovens envolvidos na organização ambientalista Engajamundo e iniciou sua jornada no ativismo. Aos 24 anos, criada na Zona Norte de São Paulo e formada em relações internacionais pela Anhembi Morumbi, ela hoje se dedica integralmente ao tema com perfil no Instagram @PerifaSustentável, em que busca democratizar o conhecimento sobre clima, meio ambiente e igualdade de direitos na periferia.

“É um assunto que ainda não está na quebrada. Sou preta e da periferia, e posso levar essa discussão de um jeito que as pessoas entendam”, diz. Ela se tornou mobilizadora de redes da Youth Climate Leaders (YCL) e, em agosto, foi escolhida como Embaixadora de Juventude da ONU, capacitada para atuar como multiplicadora dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

SINEIA DO VALE, líder comunitária na tribo Wapichana

Juntar o conhecimento tradicional dos povos indígenas à tecnologia, sem desprezar a sabedoria dos antigos e sem preconceito contra o novo. É dessa forma que a gestora ambiental Sineia do Vale, da etnia Wapichana, de Roraima, define parte do seu trabalho no Conselho Indígena de Roraima (CIR), onde coordena o departamento ambiental. Ela foi uma das lideranças indígenas que ajudaram o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) a desenvolver o aplicativo Alerta Clima Indígena, que disponibiliza informações sobre fogo, clima e desmatamento em várias terras indígenas do país.

O app permite que a população registre alertas de fogo ou desmatamento com fotos e áudios do local. A informação é avaliada pelo Laboratório de Sistema de Informações Geográficas, criado pela equipe de Sineia, no CIR, com o objetivo de melhorar a gestão das áreas indígenas de Roraima. Uma das tarefas do Laboratório SIG é sobrepor os mapas mentais dos territórios indígenas de Roraima, desenhados pelos próprios nativos, aos mapas de base cartográfica. “O conhecimento tradicional dos povos indígenas também precisa ser considerado”, diz.

LUIS FERNANDO LARANJA, Fundador da Kaeté Investimentos

 mais novo negócio de Luis Fernando Laranja, criador do primeiro fundo de private equity dedicado a investimento de impacto na Amazônia, é uma marca de leite e carnes para o varejo a ser lançada nos próximos meses,em que todos os produtos serão certificados como zero carbono. Só para neutralizar os gases de efeito estufa da operação de leite, a primeira a entrar no mercado, será plantado um hectare de floresta nativa a cada três meses. “Entendemos que nem todas as pessoas vão parar de consumir proteína animal e que é preciso desenvolver um modelo de produção com menos impacto”, explica Laranja, que ainda não releva o nome da marca.

Esse não é o primeiro negócio sustentável do ex-professor e pesquisador da Universidade de São Paulo, que largou tudo para empreender na Amazônia, 20 anos atrás. Ele pode ser considerado um pioneiro tanto dos empreendimentos quanto dos investimentos de impacto. Começou com uma empresa de processamento de castanha-do-pará associada à preservação e tendo como fornecedoras comunidades tradicionais locais. A Ouro Verde Amazônia ganhou prêmios de sustentabilidade e recebeu a primeira certificação de empresa B do Brasil.Em 2011, iniciou a Kaeté Investimentos, fundo formado após uma pesquisa de mais de 210 empreendimentos amazônicos, que hoje tem R$ 25 milhões para novos investimentos.

ROGÉRIO CAVALCANTE, Fundador da Um Grau e Meio

ROGÉRIO CAVALCANTE, FUNDADOR UM GRAU E MEIO — Foto: Divulgação

ROGÉRIO CAVALCANTE, FUNDADOR UM GRAU E MEIO — Foto: Divulgação

Usar inteligência e tecnologia para combater uma das três principais causas de emissão de CO2 no Brasil, os incêndios florestais, é a inovação criada por Rogério Cavalcanti, fundador da Um Grau e Meio (antiga Sintecsys). O monitoramento da empresa foi pensado para áreas remotas, sem energia elétrica ou internet, e é composto por câmeras que giram 360º, 24 horas por dia, em busca de qualquer sinal de fumaça em um raio de 15 quilômetros. “Com nosso algoritmo analisando imagens em tempo real, reduzimos o tempo de detecção de 48 horas para apenas três minutos”, diz.

Em 2021, atingiram a marca de 3 milhões de hectares monitorados, sendo 33% de mata nativa. “Não faz diferença instalar em áreas de cultivo ou de preservação”, pontua Cavalcante, que lançou uma nova ferramenta capaz de medir a emissão de CO2 ano a ano em cada região. “Iniciamos em janeiro de 2021 a aplicação da metodologia, que exige um ano de análise, com resultados a ser apresentados em janeiro de 2022. Em alguns casos, constatamos redução de até 90% das áreas queimadas”, afirma.

MARCEL FUKAYAMA, diretor executivo do Sistema B

Cofundador do Sistema B Brasil e à frente do Sistema B Internacional, Marcel Fukayama trabalha para ampliar a adesão de grandes empresas na rede internacional, que pretende redefinir o conceito de sucesso na economia global. “Nossa visão é construir um sistema econômico inclusivo, equitativo e regenerativo para todas as pessoas e para o nosso planeta”, diz. Para obter o certificado, como algumas subsidiárias da Danone (incluindo a brasileira) e a fabricante de cosméticos Natura, é preciso mostrar que lucro e responsabilidade caminham juntos.

Hoje existem em todo o mundo mais de 3,5 mil empresas B certificadas e outras 110 mil que usam as ferramentas do Sistema B para medir, gerenciar e reportar seus impactos —a maior parte delas pequenas empresas com menos de 250 funcionários. Recentemente, um grupo de quatro grandes companhias formou a iniciativa chamada B Moviment Builders: a francesa Bonduelle, a suíça Givaudan e as brasileiras Gerdau e Magalu. Sob a mentoria de Natura e Danone, o grupo vai tentar acelerar a agenda de migração para compromissos exigidos pela certificação, como iniciativas contra mudanças climáticas.

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